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Minha trajetória faz mais sentido como uma progressão: scripts, máquinas, memória, hardware, runtimes. Cada etapa tornou a próxima mais concreta.
Começar por automação
Meus primeiros programas úteis foram scripts Bash no Linux e experimentos com servidores de Minecraft por volta dos 12 anos. Esse começo ainda aparece no trabalho atual: escrever software para remover trabalho manual repetido e refinar quando a primeira versão fica frágil demais.
Aprender que código toca material
Aos 15 anos, entrei em uma formação técnica de três anos em usinagem CNC e otimização de programas de produção para peças metálicas complexas. Estágios e trabalho de fábrica em contextos como Renault, Disney, Clerc e Barrio levaram a programação para toolpaths, ciclos de máquina, tolerâncias, desgaste e material desperdiçado.
Isso explica boa parte do meu gosto de engenharia posterior: perguntar o que acontece quando uma suposição falha, o que o operador vê e quais falhas podem ser recuperadas sem improviso.
C, C++ e o custo da abstração
A École 42 puxou meu trabalho para programação de baixo nível: C, C++, memória, algoritmos, estruturas de dados e projetos em que uma fronteira mal definida vira bug. Projetos em contextos como Roche, BNP Paribas e La Poste acrescentaram outra restrição: software precisa caber em organizações que já têm workflows, dados e hábitos operacionais.
Hardware como disciplina de design
Montar e calibrar impressoras 3D deixou outra lição visível: o sistema não é só firmware. É eletrônica, chassi, driver de motor, superfície, material, operador e processo de recuperação. Labalek, uma impressora MSLA customizada, é o artefato mais claro dessa fase.
Por que Rust ficou central
Rust encaixou na direção que meu trabalho já tomava. Ele mantém controle explícito sobre memória, formatos de arquivo, limites de processo e performance, enquanto torna várias classes de erro mais difíceis de publicar. No AppCore, Rust aparece como ferramenta para impor contratos: manifests, serviços com limites, containers de storage autenticados, envelopes peer, autenticidade de update e fronteiras testáveis.
O que procuro resolver hoje
Os problemas recorrentes são sistemas local-first, software desktop operacional, storage seguro, arquitetura de runtime, ferramentas industriais, interfaces com hardware e developer tools pequenas o bastante para entender e estáveis o bastante para confiar.
A pergunta raramente é "qual tecnologia usar?". A pergunta melhor é: o que deve continuar verdadeiro quando a rede cai, o filesystem é compartilhado, dois usuários editam o mesmo objeto, um release precisa rollback ou uma máquina já começou a executar trabalho físico?